Endividamento das famílias goianas chega a 65,8%, o 6º menor do Brasil em junho
Sindilojas-GO analisa cenário e alerta para consequências dos juros altos: aumento das dívidas, diminuição no poder de consumo e queda nas vendas no varejo
14 de julho de 2023
Goiás é o 6º estado do país com menos famílias endividadas. O grau de endividamento no estado chegou a 65,8% em junho, percentual quase 30% menor em relação ao de Minas Gerais (94,9%), a unidade da Federação onde há mais famílias com dívidas a pagar, conforme destaca o Sindilojas-GO sobre pesquisa de endividamento e inadimplência divulgada na terça-feira (11) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
Considerando o cenário em Goiás e no restante do País, o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer aumentou 0,2 ponto percentual (p.p.) em junho, chegando a 78,5% das famílias no Brasil. Desse total, 18,5% se consideram muito endividados, maior volume da série histórica, iniciada em janeiro de 2010.
A alta da proporção de endividados interrompe uma sequência de quatro meses de estabilidade do indicador que, com essa nova subida, alcançou o maior nível desde novembro do ano passado.
"Infelizmente, os juros altos representam um grande vilão na vida das famílias endividadas, principalmente quando elas não conseguem manter os compromissos financeiros em dia. Isso leva ao aumento das dívidas e à consequente diminuição no poder de consumo, prejudicando as vendas no varejo", avalia o presidente do Sindilojas-GO, Cristiano Caixeta.
Comprometimento da renda recua
Embora o endividamento tenha avançado em junho (um mês antes do previsto pela CNC), a parcela média da renda comprometida com dívidas alcançou 29,6%, o menor percentual desde setembro de 2020. “Isso é resultado da melhora da renda dos consumidores que recebem até 10 salários mínimos, que ocorre por conta da dinâmica favorável da inflação em desaceleração desde o fim do ano passado”, explica a economista da CNC responsável pela Peic, Izis Ferreira.
Inadimplência avança
A inadimplência acompanhou a tendência de alta do endividamento em junho. O percentual de famílias com dívidas atrasadas fechou o mês em 29,2%, aumento de 0,1 ponto percentual. Izis Ferreira pondera que a melhora da renda disponível, com a evolução positiva do mercado de trabalho e o alívio da inflação, não foi suficiente para retirar da inadimplência os consumidores com dívidas atrasadas há mais tempo.
A economista aponta que os juros elevados seguem dificultando a melhora desse quadro. O volume de consumidores com atrasos há mais de 90 dias também cresceu, alcançando 46% do total de inadimplentes, destaca a especialista.
Fonte: Assessoria de Comunicação/Sindilojas-GO (com informações da CNC) - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
